O Rei Leão

O Rei Leão


       O filme “O Rei Leão” é um desenho para crianças. Esse filme conta a história de um leão, Simba, que fugiu do local onde morava com sua família achando ter sido o responsável pela morte do próprio pai. Perdido na floresta, Simba é encontrado por outros dois animais, Timão e Pumba, porém esses animais eram presas típicas dos leões. Timão era da espécie dos suricates e Pumba era um javali. Após constatarem que o leão ainda era filhote decidiram pegá-lo para criar. Vários anos se passaram e cenas do filme foram mostrando o desenvolvimento de Simba ao lado de Timão e Pumba. A amizade dos três se fortalecia cada vez mais e Simba, ao invés de um predador, passou a ser um irmão para Timão e Pumba. No final do filme, o leão retorna para o local onde vivia com sua família e, junto, leva Timão e Pumba.
       A ideia que se pode extrair desse filme é a existência de diferentes constituições familiares. Antigamente, falava-se mais em famílias nucleares (pai, mãe e filhos), entretanto, hoje em dia, as famílias são compostas pelos mais variados membros, com ou sem laços sanguíneos. No início do filme aparecem cenas de Simba com sua mãe e seu pai, mostrando como ele era feliz com sua família nuclear. Ao se separar da família, poderíamos pensar em uma vida triste e difícil para o pequeno Simba. Porém, ao ser encontrado por Timão e Pumba, percebemos a capacidade do leão em formar laços afetivos, tão fortes quanto os que tinha com sua família, com animais de outra espécie.
       A história retratada no filme mostra um fato muito comum da atualidade: morar e/ou ser criado por pessoas que não são os pais biológicos. A história da terapia familiar demonstra esse processo que vai da primazia da família nuclear à diversidade familiar. Nichols e Schwartz (2007) referem que, a partir da década de 1980, livros começaram a tratar de como fazer terapia familiar em uma série de problemas e constelações familiares específicas. Dentre os diversos livros lançados sobre as especificidades das famílias encontra-se o de Reitz e Watson (1992) sobre como trabalhar com famílias que possuem um filho adotado.
Enfim, percebe-se a necessidade de cada vez mais ampliarmos o conceito da palavra “família”. Minuchin, Colapinto e Minuchin (1999, p. 22) estabelecem um conceito bem abrangente, referindo que “uma família é um tipo especial de sistema, com estrutura, padrões e propriedades que organizam a estabilidade e a mudança. É também uma pequena sociedade humana, cujos membros têm contato direto, laços emocionais e uma história compartilhada”.
       O filme, por ser um desenho animado para crianças, torna possível a realização de intervenções com aqueles meninos e meninas que vivem em abrigos. Essas crianças vivem à espera de uma família, mas não se dão conta de que todos eles já são uma família, pois possuem estrutura, organização e laços afetivos entre eles e com os monitores do abrigo. A história mostrada no filme pode auxiliar essas e outras crianças que não vivem com os pais biológicos a compreender o verdadeiro significado de uma família, a qual se apóia mais nos laços emocionais entre os membros do que nos laços sanguíneos.
 
Referências
 
Minuchin, P., Colapinto, J., & Minuchin, S. (1999). Trabalhando com famílias pobres. Porto Alegre: Artes Médicas.
Nichols, M. P., Schwartz, R. C. (2007). Terapia familiar: Conceitos e métodos. Porto Alegre: Artes Médicas.
Reitz, M., Watson, K. (1992). Adoption and the family system. New York: Guilford Press.
 
                                                                                             Psic. Fernanda Lüdke Nardi